O Amor que tu me tinhas…

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Sempre que um relacionamento termina, terminam sonhos. Não sonhos futuros, planos de viagem, filhos, casa, essas coisas. Terminam o “volta logo” na despedida do aeroporto, o “vou aonde você for” quando se anuncia uma possível mudança de cidade; termina a sensação de que o mundo é melhor quando a gente ouve o “eu te amo” dele/dela. Isso tudo que é bom demais no cotidiano, e que a gente trata com trivialidade, é sonho. E vai embora com o “adeus”.

Esta crônica é uma homenagem ao adeus de um relacionamento a dois. Porque o fim é tão bonito quanto o começo. As dores, é claro, são diferentes. A dor da incerteza, no começo, é quase um prazer. A dor do fim é quase um precipício. Mesmo assim, o fim é um filme que começa com ele subindo em uma árvore — para pegar aquela folha com cheiro de eucalipto que ela ia gostar —, passa por ela pensando “meu Deus, tô fodida, vou me apaixonar”, destaca a cena em que ele, dislexo, demora duas horas para escrever o bilhete pedindo-a em namoro, tem o ápice nas bebedeiras, brincadeiras e sexo no estacionamento e termina com os dois chorando no chão de uma quitinete. Aposto que você viu isso tudo passar pela sua cabeça enquanto eu narrava. E que pensou nos fins dos seus relacionamentos também.

Um brinde aos fins. E vamos esquecer essa baboseira de que eles são o começo de alguma coisa. O fim de um relacionamento é apenas o fim de uma história e a criação de um repositório de lembranças. O que virá depois é apenas outro cotidiano. Outro sonho, talvez. Talvez com outro fim.

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Mulheres que amam de menos…

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Eu quero dar meu depoimento. Creio ter um problema. Se mulheres que amam demais são aquelas que sufocam seus parceiros, que não confiam neles, que investigam cada passo que eles dão e que não conseguem pensar em mais nada a não ser em fantasiosas traições, então eu preciso admitir: sou uma mulher que ama de menos.

Eu nunca abri a caixa de mensagens do celular do meu marido.

Eu nunca abri um papel que estivesse em sua carteira.

Eu nunca fico irritada se uma colega de trabalho telefona pra ele.

Eu não escuto a conversa dele na extensão.

Eu não controlo o tanque de gasolina do carro dele para saber se ele andou muito ou pouco.

Eu não me importo quando ele acha outra mulher bonita, desde que ela seja realmente bonita. Se não for, é porque ele tem mau gosto

Eu não me sinto insegura se ele não me faz declarações de amor a toda hora.

Eu não azucrino a vida dele.

Segundo o que tenho visto por aí, meu diagnóstico é lamentável: eu o amo pouco. Será?

Obsessão e descontrole são doenças sérias e merecem respeito e tratamento, mas batizar isso de “amar demais” é uma romantização e um desserviço às mulheres e aos homens. Fica implícito que amar tem medida, que amar tem limite, quando na verdade amar nunca é demais. O que existe são mulheres e homens que têm baixa auto-estima, que tem níveis exagerados de insegurança e que não sabem a diferença entre amor e possessão. E tem aqueles que são apenas ciumentos e desconfiados, tornando-se chatos demais.

Mas se todo mundo concorda que uma patologia pode ser batizada de “amor demais”, então eu vou fundar As Mulheres que Amam De Menos, porque, pelo visto, quem é calma, quem não invade a privacidade do outro e quem confia na pessoa que escolheu pra viver também está doente.