Para se inspirar: Tatuagens Delicadas

Seja no Instagram, Pinterest, Facebook, Sites,blogs ou até mesmo na vida real, quem nunca viu uma tatuagem e ficou morrendo de vontade de fazer uma igual. Não tem jeito, tatuagens estão cade vez mais ocupando espaços no nosso corpo, mesmo quem não tem, aprecia. Antes o que era visto como um ato rebelde e totalmente irresponsável, hoje é nada mais nada menos que mais uma forma de se expressar, ou até mesmo marcar algum momento.

Então se você é como eu, acha lindo, porém não tem uma, que tal começar com algo mais delicado, menor. Nesse post vamos ver váaaaaaaaaarias, que talvez ajude a você tomar coragem e ir amanhã mesmo no tatuador, ou não rs

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Em breve mais tatuagens para a gente se inspirar, e ae já resolveu fazer a sua ?

Beijos ♥

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Amanhece com o dia ainda no prefácio. Gosta de recebê-lo com olhar a se perder em horizonte. Não é de longas noites de bom sono, mas de poucas horas de olhos fechados e raros momentos de silêncio, quando seus pensamentos se acalmam, assim como sua respiração, e ele consegue se misturar ao silêncio da madrugada.

Ano passado, perdeu emprego e esposa, nessa ordem mesmo. Era bom no que fazia… Não, era ótimo no que fazia. Era tão ótimo que chegou o dia em que aquilo já não fazia mais sentido e não havia como seguir adiante. Não havia promoção, plano de carreira ou o que fosse que acenasse com o próximo passo. E para ele o próximo passo era necessário. Aos poucos, toda excitação de ser quem era foi se esvaecendo. Tudo foi ficando fácil, mas de um jeito tirano.

A esposa, que lhe acompanhara durante longos e aventureiros quinze anos, sentiu essa onda de esmaecimento e se aborreceu profundamente. Para ela a vida ainda reservava uma série de próximos passos. O seguinte ela deu na companhia de um amigo da época de escola. Quando partiu, nem disse adeus, de tão desapontada com o ex-marido, aquele que lhe prometeu uma vida de aventuras e a confinou em um cenário de confusão e abatimento.

Ele não pediu que ela ficasse. Não suplicou para que ela o ajudasse a voltar ao mundo. Silenciou, fumou um cigarro, bebeu uma bebida, gastou alguns dinheiros com banalidades. Fez a partilha, deixando para ela quase tudo o que conquistara ao seu lado.

O quase faz diferença. Ele ficou com esse apartamento em décimo quinto andar, prédio antigo e de cômodos grandes. Tem onde morar, a aposentadoria lhe custeia o resto, que nunca foi de consumir muita comida ou desperdiçar água, luz e telefone. Ainda bem que foi bom, mas ótimo no que fazia, chegando ao último lugar onde caberia um expertfeito ele, o que lhe garantiu uma aposentadoria que é para poucos.

Não é jovem, seu corpo já reclama o resultado de uma vida debruçada em longos turnos de trabalho, uísque, energético e um rico histórico de excessos. Sua irmã, na última aparição no apartamento, disse que ele parece melhor do que antes, quando as pessoas o idolatravam. Ele correspondeu à declaração dela com um sorriso e a alegação de que achava o mesmo. A solidão me cai bem. Mas a irmã entendeu a solidão dele de um jeito diferente de como ele a sentia. Caiu no choro, perguntando se ela poderia ajudá-lo de alguma forma, que ela faria de um tudo para vê-lo feliz. Ele levou horas para acalmá-la.

Ele não entende o motivo de a maioria das pessoas ignorarem a importância da solidão. Não que elas tenham de levar uma vida reclusa e infeliz. Mas acontece de sobrar a alguns somente a solidão, mesmo quando parece que todos a sua volta existam para lhes fazer companhia e servi-los.

Gasta o dia com o que mais gosta: livros e música. Até arrisca uns passos de dança no meio da sala. Não precisa de mais do que isso para que as horas não se arrastem. Porém, ele tem se sentido animado a respeito de sua nova paixão. Nessa sua solidão – nomeada pelo psiquiatra que sua irmã fez com que consultasse como depressão -, descobriu-se um ótimo escutador de histórias.

O apartamento onde mora, do qual é proprietário, é o mesmo de sua infância. Ali viveu até a adolescência. Ali seus pais viveram até falecerem. Não quis se desfazer do lugar, então o alugou e se esqueceu dele. Durante a divisão de bens, redescobriu esse lugar – na geografia e na alma – e decidiu que era ali que viveria. Esperou alguns meses, até que o contrato de locação do inquilino vencesse, e pediu o apartamento de volta. Mudou-se para lá no dia seguinte da saída dos moradores.

Quando chegou ao apartamento, caminhou lentamente pelos cômodos a colher lembranças. Lembrou-se do som das vozes de sua mãe e de seu pai, das traquinagens de sua irmã, das horas que passavam juntos na sala, as crianças a brincarem e os pais a conversarem sobre tudo. Ele gostava de escutá-los, de observá-los. Se há uma coisa divina que tem certeza que lhe aconteceu, trata-se de ter nascido filhos dos seus pais.

Acomodou-se no quarto principal, mas foi no seu antigo quarto que encontrou o que o zelador disse que o inquilino não quis levar embora, pódexá que eu resolvo isso e tiro tudo de lá até segunda. Acontece que, antes da segunda, ele já estava encantado com aquilo tudo. O menino que foi pensou logo: parece até que, se eu me esforçar, vou chegar à lua.

Nunca foi habilidoso em escutar as histórias pessoais daqueles com quem tinha de lidar, o que, na verdade, o levou a chegar tão longe no trabalho. Agora, radioamador, é escutador notívago. Já escutou a história de tantas pessoas, que a sua percepção sobre o mundo mudou, assim como sua compreensão sobre a solidão. Pode até não conseguir explicar à irmã que ela não precisa se sentir triste por ele, tampouco refutar o psiquiatra que acredita que o remédio não está surtindo o efeito desejado. Talvez, dia desses, ele traga a irmã ao seu quarto de menino para lhe mostrar seu equipamento e apresentar as vozes que o acompanham durante a noite. Talvez, dia desses, convide alguns dos donos dessas vozes para jantar.

O que importa é que ele recobrou o direito ao seguinte. O passo e o próximo. O outro, o semelhante. Pois não há nada que represente melhor a solidão brutal do que chegar ao momento em que não se tem mais aonde ir.

O Amor que tu me tinhas…

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Sempre que um relacionamento termina, terminam sonhos. Não sonhos futuros, planos de viagem, filhos, casa, essas coisas. Terminam o “volta logo” na despedida do aeroporto, o “vou aonde você for” quando se anuncia uma possível mudança de cidade; termina a sensação de que o mundo é melhor quando a gente ouve o “eu te amo” dele/dela. Isso tudo que é bom demais no cotidiano, e que a gente trata com trivialidade, é sonho. E vai embora com o “adeus”.

Esta crônica é uma homenagem ao adeus de um relacionamento a dois. Porque o fim é tão bonito quanto o começo. As dores, é claro, são diferentes. A dor da incerteza, no começo, é quase um prazer. A dor do fim é quase um precipício. Mesmo assim, o fim é um filme que começa com ele subindo em uma árvore — para pegar aquela folha com cheiro de eucalipto que ela ia gostar —, passa por ela pensando “meu Deus, tô fodida, vou me apaixonar”, destaca a cena em que ele, dislexo, demora duas horas para escrever o bilhete pedindo-a em namoro, tem o ápice nas bebedeiras, brincadeiras e sexo no estacionamento e termina com os dois chorando no chão de uma quitinete. Aposto que você viu isso tudo passar pela sua cabeça enquanto eu narrava. E que pensou nos fins dos seus relacionamentos também.

Um brinde aos fins. E vamos esquecer essa baboseira de que eles são o começo de alguma coisa. O fim de um relacionamento é apenas o fim de uma história e a criação de um repositório de lembranças. O que virá depois é apenas outro cotidiano. Outro sonho, talvez. Talvez com outro fim.